Trabalhar menos em momentos de crise faz total sentido

Pode parecer loucura, mas trabalhar menos em momentos de crise faz total sentido sim. Você pode continuar com a mesma renda, ou até aumentar, e ganhar algo que dinheiro nenhum compra: tempo livre para manter sua saúde mental em dia.

Já tive Síndrome de Burnout duas vezes na vida. A primeira enquanto eu trabalhava como CLT. A segunda foi em 2019, já sendo autônomo, quando tomei um calote que me custou 2 meses de renda e drenou minha saúde mental.

Por causa do rombo financeiro, naturalmente meu instinto foi tentar conseguir mais clientes. O que viesse era lucro, embora preferisse tentar contratos de pelo menos 3 meses.

Mirei em conseguir mais clientes e consegui. Depois de alguns meses, recuperei a situação financeira, mas a um custo caro: pouco tempo para descanso e lazer mantiveram a ansiedade e o estresse em níveis altíssimos.

E sabe o que é pior?

Quando você entra no modus operandi de que precisa trabalhar mais, você se habitua a trabalhar mais. Jogar videogame, dormir até mais tarde, ou simplesmente ficar sem fazer nada se tornam hábitos estranhos.

O ócio se torna um incômodo, e você começa a se culpar por estar ocioso. Eu reconheço que essa é uma sequela que carrego até hoje. Felizmente, fazer terapia e estudar formas de aumentar a produtividade de maneira eficiente me ajudam a cada vez menos me sentir culpado por dedicar um tempo para mim mesmo.

Como é possível que todas as pessoas no mundo precisem exatamente de 8 horas para completar seu trabalho? Não é. Esse período é uma arbitrariedade.

– Timothy Ferriss, autor do best-seller Trabalhe 4 horas por semana

Se você trabalha de forma autônoma ou tem objetivo em abrir seu próprio MEI em 2021, especialmente como prestador de serviços, desde já tenha em mente: trabalhar mais não significa ganhar mais dinheiro. Nem ser mais eficiente. Muito menos ser mais feliz.

Eu só aprendi essas lições de outubro para cá. Embora tendo critérios mais eficientes para prospectar clientes, antes disso eu continuava dando a mesma importância a todos os pedidos de orçamento.

Para você entender como eu trabalho: não acredito em preços tabelados para serviços de produção de conteúdo e Marketing Digital. Cada cliente tem sua necessidade. Por isso, sempre que alguém faz contato eu dedico entre 30 minutos e 1 hora para conversar com o possível cliente e entender suas necessidades e seus objetivos.

Nota: há uma grande diferença entre o que os possíveis clientes acham que precisam, e o que os objetivos realmente exigem que eles contratem.

Então, eu continuei (e continuo) fazendo minhas reuniões de até uma hora. Mas agora eu saio delas já sabendo se existe mesmo a chance de fechar o trabalho ou não.

Eu perdi o medo de explicar para as pessoas que se não fizer X ou investir Y, não vai dar para atingir as expectativas no tempo que elas pretendem. Por exemplo: fulana/fulano me pede orçamento para 2 posts por semana no Instagram e quer urgentemente conseguir clientes.

Minha amiga, meu amigo: assim você não vai vender nada. É preciso ser realista.

Se não houver possibilidade de fazer um plano gradual para chegar no mínimo necessário no curto prazo, flexibilizando valores dos dois lados e expectativas imediatas, eu agradeço o contato e informo que não tenho condições de prestar o serviço desse modo. Assim, não dedico tempo estudando o melhor cenário para propor ao lead.

Poxa, Alysson, você nega clientes durante a pandemia? De certa forma sim. E, embora eu continue vivendo com a renda variável, minha média mensal tem sido o que eu preciso.

Só que, como eu falei, nos últimos meses eu tenho algo que o dinheiro não compra: tempo livre. Aproveito minha liberdade sendo mais eficiente do que antes. Dedico mais atenção às tarefas e as concluo em menos tempo.

O ponto de virada

Eu atuo como freelancer desde 2014, mas até 2019 era para complementar a renda do meu trabalho principal. Do ano passado para cá passei a trabalhar como freela full-time para mais de um cliente.

Desde 2014 acontece de eu mandar uma proposta e não receber retorno. Quem nunca passou por isso procurando emprego, não é mesmo? Então, prestando serviço isso também é realidade, infelizmente.

Eu só fui me dar conta do quanto se perde tempo com isso quando, agora em 2020, eu fiquei 3 meses planejando a nova comunicação de um projeto com uma marca que já era minha cliente. Isso elevaria meu escopo e minha renda na mesma proporção que a quantidade de trabalho e responsabilidades que eu teria.

O novo escopo já tinha data para iniciar e estava tudo certo. Contratei um advogado para redigir o contrato específico para esse trabalho, num molde que nunca tinha feito. Foi aí que eu fiquei semanas no vácuo e, então, a empresa decidiu não iniciar o planejamento.

Percebi que não é um problema apenas desse cliente. Muitos outros já me procuraram precisando das coisas “para ontem”, e eu atendia. Então, ficava no vácuo.

Um desempenho objetivo e liberdade de tempo começam ao se limitar a sobrecarga de trabalho.

– Timothy Ferriss

Sabe quantas horas você deixa de perder quando não acha que tudo é urgente e respeita seu próprio tempo? Incontáveis! Só nesse projeto que mencionei eu teria poupado 4 horas por semana.

Desde então, se eu considerar todos os orçamentos que deixei de enviar no mesmo dia que me pediam, eu certamente estou poupando um dia inteiro.

O tempo poupado vira resultados

Além de estar com mais qualidade de saúde mental, também obtive muitos resultados nessa jornada. Perceba que não aprendi essas lições da noite para o dia.

A partir da pandemia, passei a fazer coisas apesar do medo.

De outubro para cá consegui parar de trabalhar aos finais de semana. Inspirado pelo Matheus de Souza e tendências modernas de trabalho, em 2021 tentarei não trabalhar às sextas-feiras.

4 dicas rápidas para você trabalhar menos

1) Avalie o que lhe traz retorno financeiro relevante. Não tenha apego emocional e corte tudo o que não render dinheiro compatível com seu esforço.

Muitas vezes um trabalho que paga pouco, mas exige pouco, na verdade lhe toma muito mais tempo com e-mails e reuniões do que produzindo.

2) Valorize sua satisfação pessoal. Pense no que te empolga fazer. O que no passado foi bom não quer dizer que hoje continue sendo. Coloque a felicidade como variável para fazer os cortes que sugeri na dica anterior.

Acredite ou não, não é apenas possível conseguir mais fazendo menos, é imperativo. Entre no mundo da eliminação.

– Timothy Ferriss

3) Não tenha medo de valorizar o seu trabalho. Recentemente reparei que produtores de conteúdo cobram R$ 0,02 por palavra para escrever artigos. Dois centavos. Para mim, isso é um duplo desrespeito.

Desrespeito com seu tempo e sua capacidade intelectual. Dois centavos por palavra significam R$ 26,00 para escrever um texto tão extenso quanto esse que você está lendo. Já parou para pensar em quantos textos gigantes você precisa escrever para receber um salário mínimo por mês?

Também é um desrespeito com o cliente. Você vai se obrigar a escrever mais palavras – encher linguiça – para ganhar migalhas. Saia dessa o quanto antes.

Eu acredito que receber alguns nãos no início irão compensar no curto prazo, quando você passar a receber mais trabalhando menos.

4) Aprenda a valorizar seu trabalho. Essa talvez seja a parte mais difícil, mas felizmente existe este vídeo da Nathalia Arcuri. A técnica do Custo 100 que a Nath ensina me guiou por muito tempo na minha vida de freelas. Acredito que assim que você assistir saberá precificar seu trabalho melhor!

1 comentário em “Trabalhar menos em momentos de crise faz total sentido

  • Parabéns filhotão! Muito lúcido teu texto, e mostrando na prática, que nem sempre o que se mostra ser, é, ou seja, aquilo que pode parecer um grande negócio/cliente, pelo não entendimento e valoração do teu trabalho, é compensatório do ponto de vista, financeiro e da satisfação pessoal.

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